segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Eu e a Chuva!

Noite escura, onde a lua se esvaíra... O vento anuncia a bela chuva que está por vir. Uma inquietação invade o meu ser, e de repente, me vem uma vontade de me atirar na chuva, como um desejo de criança, que só sossega quando consegue o que quer.Como se o banho de chuva fosse me tirar todas as dúvidas, como se pudesse me libertar, me fazer sentir livre a ponto de voar. Por um momento eu até sou capaz de voar, sei que sou, mas só por um momento. Aquele momento em que coloco os pés descalços no chão gelado, fecho os olhos, e começo a girar com os braços abertos, sentindo cada gota atingir meu rosto, e de repente todas as gotas me tomam conta, tomam conta do meu corpo, e já nem sinto frio, apesar da chuva gelada. É como se a chuva tocasse em meu coração, como se cada gota fosse uma nota sem pausa, sem compasso, perdida entre as linhas de uma partitura qualquer. E quando percebo estou dançando, dançando uma música no meu próprio ritmo, aquele ritmo que a vida me ensinou a dançar, aquele que só eu entendo, aquele que um dia eu pensei em te ensinar. Abro a boca como se pudesse matar minha sede, a sede da sua chuva, de suas gotas, de sua boca. Dá uma vontade de ser chuva as vezes, de cair em um rosto qualquer, de escorrer por um corpo qualquer e só parar quando encontrar a pulsação de um coração qualquer. Mais aos poucos vou perdendo o chão junto com a chuva que já está para ir embora, e deixa algumas de suas gotas jogadas pelo chão. Eu não abandono a chuva, nunca abandonei, espero até a ultima gota cair em minha mão, sei que nada é para sempre, nem mesmo a chuva. Ela é chuva por essência, mas sempre com gotas novas. Olho para o céu, e com um sorriso molhado agradeço pelas gotas que por um momento fizeram parte de mim. No quintal escuro só sobrou a solidão, a chuva se foi, e com ela toda dança, toda música, toda vontade de ser livre, e de voar. 


E toda vez que chove é a mesma vontade, aquela vontade de ser chuva, de escorrer pelo teu rosto... procurando em qualquer, a sua chuva.

Arte de escrever para você. s2

domingo, 24 de outubro de 2010

Metade de você em mim

Metade de mim quer saber de você todos os dias, a outra metade deseja não ter te conhecido

Metade de mim implora pelos teus beijos, a outra metade não lembra de tê-los recebido

Metade de mim quer você perto, a outra metade quer distância de você

Metade de mim quer olhar em teus olhos, a outra metade se recusa a acreditar

Metade de mim quer ouvir a tua voz, a outra metade tampa os ouvidos

Metade de mim quer sentir teu perfume, a outra metade se conforma com uma flor

Metade de mim quer tocar em seus cabelos, a outra metade não suporta sua textura

Metade de mim quer fazer do teu abraço moradia, a outra metade não se sente segura

Metade de mim só aquece com o teu calor, a outra metade faz abrigo no frio

Metade de mim sorri quando recorda bons momentos, a outra metade chora de saudade

Metade de mim vira luz com o teu sorriso, a outra metade vira sombra quando lembra

Metade de mim dorme pra sonhar com você, a outra metade acordada fica

Metade de mim quer ver você atuar, a outra metade quer que você desça do palco

Metade de mim quer ver você dançar, a outra metade não suporta sua musica

Metade de mim quer tuas mãos em meu corpo, a outra metade quer fugir daqui

Metade de mim pensa em você todos os dias, a outra metade quer te esquecer

Metade de mim quer dizer palavras doces, a outra metade precisa gritar

Metade de mim diz que Te Ama, a outra metade que te Odeia

Metade de mim quer terminar de escrever, a outra metade já não aguenta mais lembrar.

Arte de escrever para você. s2

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Está na Hora!

Está quase na hora de te esquecer, de esquecer que me apaixonei por você e esquecer o quanto você me fez sofrer.

Está quase na hora de voltar a sorrir por um motivo qualquer, sorrir ao lado de alguém que não saiba o verdadeiro valor do meu sorriso, que não saiba do real motivo, por alguém que não saiba decifrar o meu olhar, por alguém que acha que sabe me amar, por alguém que se sinta bem ao meu lado e que eu finja na minha arte, por ela também gostar. 

Está quase na hora de escolher um caminho e seguir, sem pressa de chegar. E que eu não olhe para trás, mas caso olhe, que nenhuma força me faça querer voltar. 

Que eu volte a sorrir por tudo, e que deixe de sonhar acordada com um beijo que eu sei que me tiraria o ar... mas que talvez o gosto dele eu não vá provar. Que eu esqueça a dor que senti quando te perdi, e que eu me lembre de tudo que nos fez sorrir, sua risada ainda posso escutar, pois sei que foram sinceras, até o momento que naturalmente tiveram que acabar.

Está quase na hora de deixar de ser espectador da minha própria trama, que eu volte a atuar no meu palco, mesmo que ninguém possa notar. Que eu volte a tocar suas musicas, que eu me concentre apenas na melodia e esqueça as notas que só você era capaz de alcançar, e que eu aprenda a guardar meus poemas, onde ninguém jamais irá achar, pois quem não lê com a alma, nunca entenderá.

Está quase na hora, e toda hora é Hora.

Arte de escrever para você. s2

sábado, 9 de outubro de 2010

Um copo de leite, Por Favor!


Pra começar, um copo de leite bem gelado. Não há nada mais inspirador que um copo de leite gelado. Branco como o papel que me provoca, gelado como o coração de quem eu penso que amo e refrescante como a chuva de desejos e sonhos que às vezes tenta me molhar... É só dar o primeiro gole e já começo a recordar de uma historia que um dia pensei ouvir e talvez eu deva contar. Começo então, assim: 

“ Era uma vez, duas famílias completamente diferentes, uma extremamente conservadora, a outra completamente liberal. O que elas têm em comum? Pra dizer a verdade nada, a não ser pelo simples fato de seus filhos estarem apaixonados um pelo outro.

O que fez com que os dois se aproximassem, era o amor, o amor pela arte, à arte de viver, a arte da dança, da musica, do teatro e do cinema. Aos poucos foram percebendo o quanto tinham em comum, e sem perceber estavam cultivando o amor, aos poucos.

A moça percebeu que amava o jovem rapaz, mas não teve coragem de dizer, teve medo que a amizade que tinham construído ao longo de meses, fosse destruída. O rapaz sentia a mesma coisa, do outro lado da cidade. E entre tantas figuras de linguagem, foram escolher logo a metáfora, onde diziam o que sentiam, sem falar o que deveriam. E assim foi durante meses. Até que então, a família da bela moça resolve mudar de país, a moça entra em completo desespero, ela não tem escolhas, precisa ir, e ao contar ao seu amor, desaba a chorar em seus braços, e diz o quando o ama, ele retribui dizendo que a ama também. O rapaz fica sem saber o que fazer, ainda não tinha condições nem de se sustentar, quando mais sustentar sua amada, por isso mesmo com uma vontade imensa de impedir que ela não fosse embora, ele diz para ela que vá, que é o melhor a se fazer. Eles se despendem com um beijo, o único. 

A moça segue o seu destino, e o rapaz vendo sua amada partir, diz em voz alta:

– Eu vou te esperar, haja o que houver, Te Amo. 

Um ano se passou desde que se separaram, mas o amor que sentiam um pelo outro continuava forte, e parecia crescer a cada dia mais, eles trocavam fotos, e-mails, cartas e presentes, e apesar da distancia, sentiam o coração um do outro batendo bem pertinho um do outro.

Até que um dia o melhor amigo do rapaz o fez uma pergunta, que ele pensou um pouco antes de responder, e foi a seguinte. 

– Por quanto tempo você é capaz de esperar pelo seu amor? E você acha mesmo que vale a pena? 

O rapaz ficou surpreso com a pergunta, mas logo pensou na resposta, deu um sorriso de canto da boca e disse.

– Eu seria capaz de esperar pelo meu amor, a vida inteira, claro, tendo a certeza que ela me ama também, e se vale a pena? É claro que vale, nem que nos reste um único dia de vida juntos, eu sei que vai valer a pena, sentir seu cheiro, ganhar seu abraço e seu beijo, seu carinho, pra mim, é o suficiente e o que me faz esperar cada dia.

Seu amigo olhou com uma cara de espanto pela resposta tão convincente de seu amigo, e ficou sem palavras. 

Bom se realmente eles ficaram juntos eu não sei, nem sei se a historia é real, mas posso provar que a essência é verdadeira. É e talvez eu tenha escutado essa historia em algum lugar, ou não... Termino aqui com um copo de leite, que agora está quente, continua branco como o papel, mas agora talvez esteja quente como o meu coração, e não é tão refrescante como o meu desejo, pelo contrario, ele desce pela minha garganta como um veneno, aquele que eu mesma preparei.


s2. Arte de escrever para você.


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

É Sempre a Mesma Coisa


É sempre a mesma coisa. Todos os dias a mesma vontade de escrever, o que exatamente, eu não sei. Sei que é sempre a mesma coisa, quando a casa adormece meus pensamentos começam a despertar, e todo dia é uma euforia fora do comum, não consigo controlar. 

É sempre a mesma coisa, procuro o melhor lugar para começar a escrever, não importa onde, pode ser ao lado da janela em baixo das estrelas, não importa, precisa ser um lugar tranqüilo e inspirador ao mesmo tempo, um lugar cheio de silêncio e que tenha muito a me dizer, apenas isso. 

Depois vem o papel, não pode estar amassado, nem rabiscado, precisa ser novo, depois eu o dobro ao meio. Em seguida vem o lápis, precisa estar bem apontado, como a ponta de uma agulha prestes a furar uma pele qualquer. E a borracha precisa estar limpa, mesmo que eu nunca acabo por usar. 

Além disso, penso em algo para beber, o que beber? Água, leite, chá, chocolate quente, hum, não sei, talvez um vinho me caia bem, Hum que pena, não tem vinho, e lá se vai a minha inspiração. É sempre a mesma coisa, tenho milhares de coisas para escrever, mas nunca sei por onde começar, e se começo, não sei como terminar. 

E as dúvidas, que figura de linguagem usar? Será que devo ser clara, talvez fique muito na cara, mas não é essa a intenção? Não sei, por isso a chamo de dúvida.

É sempre a mesma coisa, olho para o céu, procuro entre as nuvens, a lua, as estrelas e até um disco voador. Espera aí , um disco voador? Pois é, eu garanto que vi um entre as nuvens um dia desses.

É sempre a mesma coisa, você cansa de esperar pela inspiração, olha o relógio em seu pulso e percebe que não pode controlar o tempo, observa o celular silencioso sem nenhuma mensagem de boa noite, encara seu e-mail, e, nada. É sempre a mesma coisa.

Cansada da minha própria frustração, penso que é melhor ir dormir, na verdade não penso, o cansaço me convence, e nos meus sonhos as paginas em branco ainda me atormentam, pedem por palavras, ideias, gotas de pensamentos, mas já não quero mais pensar. Acordo, e mais um dia se sucede, já nem ligo mais. 

É sempre a mesma coisa!


s2. Arte de escrever para você.